Mudanças potencializam o ensino das turmas de Fundamental II  

Com a proposta de potencializar o ensino das turmas do Fundamental II, realizamos algumas alterações em seus componentes curriculares, neste ano letivo. Entre elas, a introdução da disciplina Espanhol, uma vez por semana, para as turmas do 6º ao 9º ano. Os estudantes do 9º ano, também passaram a ter uma aula a mais de Ciências, por semana.

Das novidades, destaque para as mudanças nas atividades de Orientação Educacional, que passaram a ser realizadas pelo psicólogo Vitor Monaco Loureiro. Nesta proposta, o especialista trabalha a partir da apropriação do próprio corpo, desde sua organização concreta, afetos e sentimentos, até sua postura ética no coletivo. 

Psicólogo clínico, acompanhante terapêutico e professor, Vitor já havia realizado alguns trabalhos pontuais no colégio. A partir destes encontros, foi possível analisar a importância de oferecer aos estudantes espaço e tempo para trabalhar na direção de uma apropriação corporal. 

“Isso envolve a organização deles no espaço concreto da escola, seus posicionamentos e participações dentro de um coletivo, o modo que eles atravessam as diferentes etapas e demandas do desenvolvimento, as maneiras de lidarem com as emoções, os sentimentos, os afetos, as vontades, as fragilidades e os medos, assim como as relações que estas questões estabelecem com nosso contexto contemporâneo, com a cidade e suas demandas”, explica Vitor.

Os conceitos da Orientação Educacional 

Confira as novidades do Ensino Fundamental II (Divulgação/Ofélia)

A partir da análise das ações realizadas, foi iniciado um trabalho para proporcionar aos jovens espaço, tempo, recursos e instrumentos para se aproximar e se apropriar do que se passa com seu corpo a partir da experiência e da dinâmica escolar. Tudo isso, por meio da Orientação Educacional, que conta com um encontro por semana, para os grupos de 6º, 7º e 8º ano.

“Desta forma, buscamos potencializar e construir estratégias que possam extrapolar a otimização da experiência escolar e fomentar uma postura para a vida cotidiana com mais propriedade do que se passa com seus corpos e assim mais autonomia”, contextualiza Vitor.

As três fases da Orientação Educacional 

De acordo com Vitor, com base na noção de ‘cuidado de si’, elaborada pelo pensador Michael Foucault*, serão desenvolvidas práticas nos três âmbitos do conceito: 

  1. O cuidado de si no sentido concreto e material, o qual compreende a organização corporal, a organicidade, a afetividade, hábitos, dos objetos que o circundam, a organização do espaço; 
  2. A expansão do conceito para o âmbito sociocultural, as condições concretas, diferentes formas e conteúdos voltados para o cuidado de si e assim também dos outros e da coletividade; 
  3. A circularidade entre o conhecimento de si, a investigação ética e o cuidado de si.

Vitor explica que a atividade tem como objetivo que os estudantes, a partir do 6º ano, possam conhecer, elaborar e inventar um repertório de práticas e procedimentos, ocupações e cuidados consigo mesmo. Assim, também com os outros, iniciando com a organização e o trabalho com a atenção intencional no interior da vida escolar e extrapolando para suas vidas ordinárias. 

Ele conta ainda que o trabalho ocorrerá progressivamente, de modo que cada âmbito do conceito seja trabalhado com uma turma: o primeiro no 6º ano, o segundo no 7º ano e o terceiro no 8º ano. 

“Este percurso poderá proporcionar ao estudante uma apropriação tanto da dinâmica escolar em que está inserido, como do seu corpo – sentimentos, vontades, frustrações e escolhas – em relação ao que lhe afeta, proporcionando o ganho de consistência no que diz respeito a experiência com seu próprio corpo e com a experiência coletiva, ética e social na direção do protagonismo e autonomia”, complementa.

Com os estudantes do 7º ano, serão explorados o universo cultural, de forma a apresentar uma diversidade de práticas acerca da apropriação corporal e da produção de um espaço circundante que potencialize os possibilidades de efetivação do que cada corpo pode em sua potência.

“Iremos explorar a esfera cultural de diversos contextos, extraindo diferentes referências e possibilidades de práticas para o cuidado de si, o cuidado com o espaço e com o outro. Assim vamos proporcionar instrumento e repertório para que eles possam absorver, participar, intervir e oferecer à experiência escolar e coletiva uma postura que implique responsabilidade e exercite autonomia, culminando nas possibilidades de reinvenção de si mesmo a partir das práticas do cuidado de si, do espaço e do outro”, completa Vitor.

Com as novidades, a disciplina também pretende iniciar uma investigação sobre os significados da adolescência, assim como sua produção, com a finalidade de utilizar esta investigação como mais um recurso na direção da apropriação do próprio corpo, as tendências que os afetam e os constituem, e vislumbrar o que podemos ser para além daquele corpo histórico que habitamos e que muitas vezes nos determina.

Neste caminho, temos como objetivo que os jovens do 8º ano se apropriem da investigação de si mesmos enquanto sujeitos que habitam corpos desejantes. Esta investigação será atravessada, assim como seus corpos o são, pela problematização do conceito de adolescência, problematizando o próprio momento em que os jovens se encontram.

No processo serão levados em conta questões acerca da naturalização da adolescência como período da vida, problematizando os efeitos desta naturalização tanto para a constituição corporal do jovem e sua experiência escolar, assim como os lugares que habita na cidade.

A partir deste percurso, o especialista acredita que será possível proporcionar aos estudantes repertório, instrumentos, espaço e tempo para uma investigação acerca de si mesmo, buscando através de uma postura ética problematizar as determinações que sofre pela história e forjar meios de se reinventar de modo que fortaleça as práticas escolares e sociais, enaltecendo o caráter protagonista e a autonomia na invenção de si mesmo.

“Esperamos também nos debruçar sobre a peculiaridade contemporânea acerca do desenvolvimento tecnológico e as relações destas novas tendências com a vida do jovem, buscando problematizar os modos de utilização destes recursos, enaltecendo aqueles que potencializam a produção de uma vida singular e fortalece essa singularidade através dos coletivos que está inserido.”, conclui Vitor.

* Michel Foucault foi um filósofo francês. 

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