Mostra Cultural - 2023
Corpo alimenta mundo, mundo alimenta corpo.

Sustento-me pelo que me rodeia No outro vejo espelho e me espanto Vendo o não ser e o estar acalanto Sinto a força de ser aldeia
O alimento desse mundo sou eu Meu corpo é parte e todo Sem o todo, não há corpo Somos o mundo e vemos que amanheceu

Gabriela Moura

       Corpo. Território de tecitura de histórias, de produção de subjetividades, de construção de uma narrativa de si que também é coletiva. Conceição Evaristo elabora o conceito de escrevivência afirmando que “O sujeito vai narrar fatos muito próximos de sua vida ou da sua coletividade, e isso é uma forma, uma produção, sem sombra de dúvida, de uma escrevivência”.

       Na infância, a presentificação do corpo através das poéticas brincantes, do faz de conta, do desenho enquanto expressão de si e das propostas que aguçam as sensorialidades, produz uma escrevivência que se constitui através do riso, da ocupação do espaço, das brincadeiras diversas, das mãos dadas para enfrentar os desafios, dos olhares cúmplices nas tramas do brincar. É o viver-poesia da infância que deságua na escola nas experiências cotidianas. É nela que se cantam as possibilidades de todos os tempos: passado e presente se unem nos olhos da criança, que desbrava o mundo e planta novas sementes na fabulação de um futuro diferente.

       A partir disso, é possível questionar: o que pode o corpo? O que pode o sujeito ao narrar a si mesmo? O que podem as crianças e adolescentes ao construírem narrativas de si inseridas em um contexto social e narrativas coletivas partindo de um entendimento delas mesmas? O que pode o corpo-coletivo-escola, que pulsa dos olhares atentos dessas crianças e adolescentes, das perguntas prováveis e improváveis que guiam os percursos investigativos e projetos elaborados, dos contornos propiciados por docentes engajados e engajadas em uma educação crítica e de qualidade? Como tudo isso pode reverberar na transformação do mundo?

       Os trabalhos apresentados nesta mostra são a materialização desses questionamentos, é a escrevivência das/os estudantes, uma produção de si implicada no mundo, refletindo sobre as desigualdades de gênero, de raça, de classe, alimentar, sobre a destruição da natureza em seu contexto mais complexo. É uma busca, como propõe Ailton Krenak, de adiar o fim do mundo.

       Não há unicidade na resposta destas perguntas. Os questionamentos, as inquietações, a insatisfação com as desigualdades produzidas socialmente, tudo isso alimentou e deu forma às produções apresentadas. Da mesma maneira, as reflexões e aprendizados construídos em cada investigação e tema de estudo, ampliaram os horizontes imaginativos das/os estudantes e do corpo docente, tendo em vista que a construção de saberes coletiva impulsiona, de diferentes maneiras, todas as pessoas envolvidas.

       Nos inspirando em A queda do céu, de Davi Kopenawa, esta Mostra se configura como um manifesto, um chamado para que cada sujeito que passe por ela, reflita sobre as formas de sustentar esse céu, ou seja, o planeta em que vivemos, ajudando a construir outras possibilidades de futuro. Corpo alimenta mundo, mundo alimenta corpo é a busca por sensibilizar a todas as pessoas presentes: como temos nos relacionado com esse mundo, e como estamos nos implicando nele?

Cyndel Nunes Augusto 
professora do ensino fundamental anos iniciais

Gabriela Carvalho de Moura 
professora do ensino fundamental anos finais

| Percursos de visitação

“perguntar sobre suas andanças é querer saber por onde você andou, é tentar entender seus caminhos, sua história.

seguir em frente ou retroceder, movimentar o corpo em relação aos ambientes e aos outros corpos é dançar.

reconhecer e habitar os ritmos da vida também.

o que pode acontecer se alterarmos os ritmos da história e dos espaços que habitamos?”

Trecho do material educativo da 35ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo Coreografias do Impossível

       O processo de construção de uma Mostra Cultural mobiliza toda a comunidade escolar, convidando famílias, estudantes e educadores a repensar os caminhos percorridos no ano letivo. Este valioso exercício de compartilhamento dos aprendizados nos coloca em movimento, refazendo passos e relembrando as danças e andanças vivenciadas em 2023 em nossa escola.

       Nesta exposição, que aponta em seu título justamente este jogo de movimentos feitos por estudantes e educadores do Colégio Ofélia Fonseca,  buscamos reconstruir as trajetórias de aprendizagens deste ano. Por isso, foram escolhidos diferentes percursos para que os visitantes pudessem experienciar os caminhos  percorridos na busca pela construção coletiva do conhecimento. Esta proposta se constrói a partir do cerne do que é uma Mostra Cultural escolar, em que toda a comunidade é convidada a vivenciar os espaços da escola de outra forma, encontrando ambientes transformados e com novos ritmos propostos. Ao adentrar a escola, diferentemente da experiência do cotidiano, somos todos convocados a refazer coreografias que crianças e adolescentes elaboraram em seu contato com diferentes saberes, admirando as produções que nasceram deste processo.

       Este chamado para reviver os ritmos desta história e dos espaços que habitamos coletivamente – ressoando a citação do material educativo da 35ª Bienal- é a proposta que temos para a Mostra “Corpo alimenta mundo, mundo alimenta corpo”. Desta forma, convidamos a todos e todas para percorrer as diferentes trilhas propostas, na esperança que consigam vivenciar os movimentos do aprendizado como se dão em nossa escola: de forma interdisciplinar, interseriada e interligada. 

       Os quatro diferentes percursos – “Natureza e Cultura”, “Poéticas”, “Identidades, diversidades e desigualdades” e “Circular ancestral e identidades sociais“ – refletem a transversalidade que as produções deste ano têm e estão nomeados a partir de grandes temáticas que atravessaram nosso ano letivo, em diferentes turmas, espaços, disciplinas e projetos. Tais temáticas emergiram justamente da tentativa da equipe pedagógica em refazer essas danças, notando a enorme sinergia entre as propostas pedagógicas do Ofélia Fonseca em todos os níveis, e podendo instigar à comunidade escolar de forma estendida a visualizar estas coreografias de aprender. Os percursos podem ser trilhados individualmente, ou notados de forma interligada nos diferentes espaços da exposição. Ou seja, não são trilhas estanques ou já estradas pavimentadas, muito pelo contrário, são convites para dançarmos juntos! Esperamos que gostem!

Lúcia Lima
Professora do Itinerário de Linguagens e Humanas do Ensino Médio

Natureza e Cultura
Itinerários Formativos – EM
Fotos e obras químicas – Políticas públicas de saúde


8º / 9º EF –  Insegurança Alimentar
Processos de produção e distribuição de alimentos

Políticas de combate à fome – Renda e alimentação

Alimentação e Nutrição – A fome sob olhar da estatística

6º / 7º EF –  Cultura Alimentar
Street Food – Feira Livre – Chocolate – Alimentação e saúde
Receitas e Cultura

4º / 5º EF
Insegurança alimentar no Brasil – Desigualdade social e agricultura

G1 / G2 / G3 / G4
Animais terrestres – Jardim ao Cerrado
Curumins do Encantamento à Ciência

G3 / G4 – Arte – Linhas e espaço – Detetives Instrumentos de investigação

1º / 2º / 3º  / 4º / 5º EF – Arte
Elementos da Natureza –  Terra Ar Água Fogo

Cultura popular – Amuletos – Arquitetura Casa da árvore

Estudo das cores – Instalação Tênis Impressão

6º / 7º / 8º EF – Música
Forró – Coco – Rap e letra improvisada e Samba de partido alto

Poéticas
Educação Infantil e Ensino Fundamental
Catira do do passarinho – percussão corporal – família reloginho – Les Bouffons  

Folclórica e erudita – Ijexá – Candomblé – Capoeira – Escala musical

Movimentos, instrumentos e cantos – Forró – Coco – Rap e letra improvisada

Tropicália – Ritmo funk  – Samba de partido alto

Ensino Fundamental e Ensino Médio – Artes
História em quadrinhos Folclore e Povos originários

África e Brasil africano – Arte Urbana Mural  – Animação

Concretismo e Neoconcretismo – Manifestos artísticos  – Arte Contemporânea – Estudo das cores

6º / 7º EF –  Cultura Alimentar – Diversidade cultural e alimentação

8º / 9º EF –  Insegurança Alimentar
Reflexões artísticas sobre a fome a alimentação

Itinerários Formativos – EM
Corpo e Fotografia – Performance e ações poéticas

Tropicália e Ditadura – Projetos –  Fotográficos Documentais

Revista “Oito Nove Dois” e Torneio Literário

 

Identidades, diversidades e desigualdades
Itinerários Formativos – EM
Decolonialidade na Bienal

Peça: “A Cor Que Os Olhos Tem”

Equidade de gênero nas artes – Projetos  Fotográficos Documentais

1º / 2º EF – Identidades, Diversidades e Desigualdades

3º EF  – Desigualdade de gênero – Histórias Conhecidas e Desconhecidas

4º / 5º EF – Insegurança Alimentar no Brasil
Desigualdade social e agricultura

6º / 7º EF –  Cultura Alimentar – Alimentação e saúde

Ensino Médio
A publicidade anti assédio no Metrô de São Paulo

Futebol: racismo e combate às desigualdades

Controle social: sistema penitenciário e policial do brasil

O sistema policial como controle social no brasil: populismo penal midiático

Branquitude: o privilégio nas escolas particulares de são paulo

Branquitude e políticas de cotas raciais na Universidade de São Paulo

Representação da classe no Cinema Brasileiro

História da figura feminina na indústria cinematográfica brasileira 

A inclusão racial no cinema do Brasil: caminhos e obstáculos

8º / 9º EF –  Insegurança Alimentar
Processos de produção e distribuição de alimento

Políticas de combate à fome – Renda e alimentação

Alimentação e Nutrição – A fome sob olhar da estatística

“Circular ancestral e identidades sociais“

Itinerários Formativos – EM – Decolonialidade na Bienal

Ensino Médio
Futebol: racismo e combate às desigualdades

Controle social: sistema penitenciário e policial do brasil

O sistema policial como controle social no brasil: populismo penal midiático

Branquitude: o privilégio nas escolas particulares de são paulo

Branquitude e políticas de cotas raciais na Universidade de São Paulo

A inclusão racial no cinema do Brasil: caminhos e obstáculos

G3 /  G4 – Curumins do Encantamento à Ciência

3 º/ 6º/ 7º/ 8º EF
África e Brasil africano

Cultura Alimentar – Diversidade cultural e alimentação

Desigualdade de gênero – Histórias Conhecidas e Desconhecidas

3º /  6 º/ 8º EF / Arte
África e Brasil africano – Cultura popular – Amuletos

História em quadrinhos Folclore e Povos originários

Música – Fundamental
ijexá – Candomblé – Música Rap e letra improvisada

Capoeira Movimentos, instrumentos e cantos

Samba de partido alto

 

|Programação

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