Para instigar a criatividade e estimular o protagonismo dos estudantes, nossos professores da disciplina eletiva de Ciências, Tecnologia e Sociedade, Mauritz de Vries e Henrique Yukio Kurosaki, realizaram uma atividade de campo que resultou em dois projetos de sustentabilidade realizados pelas turmas do Ensino Médio.

Com isso, estão em fase de execução os projetos da composteira e de instalação de placas de energia solar no colégio, com a proposta de abastecer nossa horta com biofertilizantes e também de otimizar o consumo de energia elétrica, reduzindo os custos com a conta de luz.

Segundo os educadores, o ponto de partida deste projeto envolveu um convite aos estudantes para buscarem soluções para possíveis problemas do colégio. “Eles tiveram total liberdade durante o processo de investigação e pesquisa de campo, e para nossa surpresa, foram muitas as ideias levantadas. A partir disso, chegamos num consenso para trabalhar a questão da energia elétrica e o destino de matéria orgânica”, explica o professor de Química, Mauritz de Vries.

A partir disso, as turmas foram divididas em dois grupos, que começaram a realizar pesquisas teóricas na biblioteca e foram ampliando o trabalho partindo para a parte mais prática do projeto. “Em princípio, pensamos que seria complicado desenvolver o projeto de energia solar, mas eles tomaram a iniciativa e foram atrás de empresas, fizeram cálculos e orçamentos, organizando todas as informações para validar o projeto junto à direção e está dando tudo certo”, completa Mauritz.

Sustentabilidade e energia solar

Estudantes desenvolvem projetos de sustentabilidade em benefício do Ofélia

Estudantes que desenvolveram projeto dos painéis de energia solar (Foto: Divulgação/Ofélia)

Mais que economizar energia elétrica, os painéis de energia solar se destacam por serem sustentáveis. Isso porque, além de fornecer energia limpa e renovável, eles não são poluentes.

Para apresentar à direção uma proposta viável para a instalação dos painéis, os estudantes fizeram muitas pesquisas e algumas reuniões com empresas especializadas, que resultaram em um grande levantamento de dados

De acordo com os levantamentos, o custo da instalação das placas para suprir todo o gasto atual com conta de luz, envolve um investimento de mais de 100 mil reais, que seriam ‘cobertos’ em aproximadamente 5 anos. “A placa dura, em média, 25 anos e se paga em 5 anos. Então, durante 20 anos, o colégio iria cortar totalmente a conta de luz e economizaria cerca de 3 mil reais por mês e 36 mil por ano”, contabiliza o estudante Theo Kraiser, do 1º ano do Ensino Médio.

Para Luiz Felipe Martins, estudante do 1º ano do Ensino Médio, além da motivação de realizar a pesquisa, “fazer este projeto foi gratificante porque a placa solar vai beneficiar o colégio de diversas formas, oferecendo uma energia limpa e economizando com a conta, também”.

Já Melissa Rosa, do 2º ano do Ensino Médio, garante que o maior desafio envolveu a parte inicial da pesquisa, com as medições que foram feitas para encontrar o melhor lugar para fazer a instalação. “Nós não sabíamos nada sobre o tema e descobrir como instalar uma placa solar foi bastante desafiador. Tivemos que aprofundar muito as pesquisas para entender as diferenças entre os tipos de placas e posso dizer que as atividades relacionadas ampliaram muito nossa forma de pensar nas soluções”, conclui Melissa.

Para Mauritz, além de mandar e-mail para todas as empresas que trabalham com instalação de placas de energia solar, os estudantes fizeram um banco de dados e mapearam tudo sobre, como possibilidades de financiamento, viabilidade econômica, impactos técnicos positivos e impactos ambientais”, completa o professor, que destacou ainda a forma autônoma como os grupos trabalharam.

“Sabemos dos impactos positivos que essa forma de trabalhar, em grupos, na busca de soluções coletivas, podem trazer e os estudantes realizaram um trabalho muito autônomo e colaborativo, que não é comum numa sala de aula tradicional. Poder acompanhar esse tipo de estudo, assessorando de forma pontual e conceitual, foi muito gratificante, e eles se mostraram muito preparados para esse trabalho mais dinâmico”, completa o educador.

Composteira para diminuir o lixo e a emissão de gases

Estudantes desenvolvem projetos de sustentabilidade em benefício do Ofélia

Os estudantes durante aula de CTS (Foto: Divulgação/Ofélia)

Reconhecida por ser um ecossistema higiênico que contribui para um ambiente mais saudável, a composteira ajuda a reduzir o lixo e a emissão de gases do efeito estufa, transformando resíduos orgânicos em húmus, que pode ser utilizado como biofertilizante.

Construída pelos estudantes, nossa composteira está recebendo, há algumas semanas, resíduos orgânicos provenientes da cozinha e da cantina do colégio. Segundo Ricardo Pacheco, estudante do 2º ano do Ensino Médio, as expectativas envolvem decompor boa parte da matéria orgânica que antes era jogada fora pela escola, além de ajudar nos cuidados com a horta.

“Esse processo de pesquisa foi muito interessante e o maior ganho foi conseguir trabalhar juntos de forma integrada e poder compartilhar os conhecimentos entre a gente, já que cada um pesquisou uma coisa e trocamos as informações, o que foi muito bacana”, explica Ricardo, que também destacou o apoio dos professores e da direção para a realização do projeto. “Pudemos contar com o apoio de todos, desde o início, e também nos deram total autonomia pra gente fazer tudo e isso dá um olhar diferente ao projeto”, conclui o estudante.

Estudantes desenvolvem projetos de sustentabilidade em benefício do Ofélia

Os estudantes durante aula de CTS (Foto: Divulgação/Ofélia)

Já Gustavo Aloe, estudante do 2º ano do Ensino Médio, o grande desafio envolveu muitas pesquisas para aprender tudo sobre o tema. “Apesar de sabermos o que era uma composteira, o mais difícil foi a fase inicial de pesquisas. Mas, estamos muito ansiosos pelos primeiros resultados.”

Segundo o professor de Biologia, Henrique Yukio Kurosaki, mais que ver os estudantes se organizarem para fazer as coisas acontecerem, o processo envolveu trabalho em equipe, disciplina e estímulo ao conhecimento. “Nós, professores, auxiliamos durante todo o trabalho. Mas, os estudantes que colocaram a mão na massa e transformaram seus projetos em realidade, viabilizando a composteira, que já é uma realidade, e ajudando o colégio pensar formas de viabilizar a instalação das placas de energia solar. E isso vai muito de encontro com nosso projeto pedagógico, porque envolve estímulo à iniciativa e ao protagonismo dos estudantes”, conclui o educador.