Entrevista: como lidar com as informações em tempos de coronavírus  

 

Para ajudar as famílias a lidarem com as informações, em tempos de coronavírus, entrevistamos nossa orientadora educacional Wylma Ferraz. 

Ela, que é orientadora das turmas da Educação Infantil e Ensino Fundamental I do Ofélia, também atua como diretora da Associação Brasileira de Psicopedagogia – Seção São Paulo (ABPp-SP). 

Desde março, Wylma tem orientado as famílias do Ofélia sobre alguns cuidados necessários no relacionamento com seus filhos, em decorrência do excesso de informações sobre a pandemia do vírus do Covid-19. Confira a entrevista!

 

Como a pandemia pode ser tratada no dia a dia para não traumatizar os estudantes?

A primeira coisa é instruir. Os estudantes devem saber da maneira mais clara possível o que está acontecendo, de acordo com a faixa etária claro, partindo da curiosidade e dúvida deles. Esclarecendo o que é o Covid-19, o que é pandemia e o que devemos fazer para evitar. Quando eles sabem o que está acontecendo, o trauma é amenizado. O problema é quando a informação é escondida ou falada pela metade, aí eles podem imaginar coisas erradas. Eles percebem e sentem quando têm alguma coisa diferente acontecendo.

 

Quais posturas devem ser adotadas pela equipe pedagógica para minimizar esse possível trauma?

Sempre dizer a verdade e explicar, de acordo com a faixa etária, o que está acontecendo. Toda essa agitação gera medo, ansiedade, raiva, muitos sentimentos diferentes e algumas vezes antagônicos. Ajudá-los a identificar esses sentimentos já é um bom começo. Se nós que temos todas essas informações, estamos confusos, imagine eles.

 

E qual a função dos pais nesse momento?

Cuidar, acolher e serem firmes também, pois as crianças vão querer burlar regras, até porque eles não têm noção da dimensão do problema. E quem tem que orientar e provavelmente proibir de sair de casa, por exemplo, são os pais. Faz parte do desenvolvimento deles irem contra as regras, e faz parte da família, ser firme, orientar e cuidar. As crianças também vão se cansar, se irritar de ficar em casa, e a família deve reconhecer esse sentimento e acolher, é um sentimento verídico. A família não deve ignorar ou falar que é ‘besteira’, por exemplo. Por isso, nós do Colégio Ofélia Fonseca estamos encaminhando às famílias dicas de leitura, jogos e muitas brincadeiras para ser também um momento de descontração e diversão para a família toda relaxar. Esse resgate da união familiar vai ser muito positivo.

 

Como cuidar do estudante que tenha algum parente/amigo com a Covid-19? 

Acolher e lidar com o sentimento de medo e a ansiedade. Ansiedade do que possa vir a acontecer e medo de perder esse parente/amigo. Por isso a instrução clara em todos os momento é importante para tranquilizá-lo. Um outro sentimento importante, nesse momento, para resgatar com esse estudante é o da solidariedade. Ele vai de fato entender que esse vírus existe e é perigoso, por isso temos que ter todos esses cuidados e principalmente cuidar dos idosos que são o principal grupo de risco.

 

Cabe ao núcleo de psicologia do colégio acompanhar esse aluno com maior atenção? 

Sempre! Temos que estar atentos ao estudante de perto e nesse caso ‘de longe’ também. Tudo isso gera medo, ansiedade, raiva, muitos sentimentos diferentes e algumas vezes antagônicos. Precisamos dar voz para esses sentimentos. Assim, eles conseguem nomear e ressignificar.

 

Como você indica que deva ser o retorno, dentro desse contexto de cuidado mental do estudante?

Infelizmente não sabemos quanto tempo tudo isso vai durar. Vai depender dessa duração também. Mas tenho certeza que em se tratando de crianças pequenas, por exemplo, eles vão ficar felizes em retornar e encontrar seus amigos e professores. Vão poder se abraçar novamente. O acolhimento positivo e afetivo vai ser de extrema importância para esse retorno.