Educação Antirracista:
a comunidade escolar em ação

Comissão Antirracista

Apresentação

     O Colégio Ofélia Fonseca reafirma seu compromisso com a educação pela equidade assumindo sua responsabilidade com a educação antirracista. Compreendendo que historicamente a estrutura social foi organizada de maneira a restringir o acesso aos direitos fundamentais a determinados grupos tem-se como um dos fundamentos da educação a mudança dessa realidade dentro do âmbito escolar.

     Com isso, busca-se a valorização da diversidade e o reconhecimento da pluralidade, para isso se faz necessário um conjunto de ações. Seguindo as diretrizes da BNCC e das leis 10.639 e 11.645, o Colégio Ofélia Fonseca tem em sua organização institucional e curricular o compromisso de manter uma reflexão e práxis voltada ao questionamento do racismo estrutural, institucional e individual.

     Em parceria com a comunidade escolar temos uma permanente revisão de metodologias, bibliografias e conteúdos para que conectados com os debates atuais possamos promover uma aprendizagem engajada e crítica. Destacamos a formação de uma comissão interna formada pela equipe pedagógica com o objetivo de propor ações de formação e práticas institucionais com o foco antirracista e decolonial.

     Atualmente destacamos algumas ações do Colégio:

    • Currículo com conteúdos históricos, etiológicos, literários e culturais da história da África e do Brasil Africano e povos originários em todos os ciclos escolares;
    • Abordagem decolonial sobre a formação do Brasil e seus desdobramentos na contemporaneidade;
    • Atualização constante das referências didáticas e do acervo da Biblioteca;
    • Formação permanente da equipe pedagógica e demais profissionais sobre racismo e educação antirracista;
    •  Política afirmativa social e étnico-racial na concessão de bolsas de estudo e processos seletivos;
    •  Promoção da Comissão Antirracista, formada por representantes da equipe pedagógica;
    • Diálogo com a comunidade escolar sobre racismo e práticas antirracistas.

 

Comissão antirracista

A comissão, proposta pela direção em conjunto com a equipe pedagógica e a comunidade escolar, é composta por pessoas integrantes da equipe pedagógica e atuará no campo institucional com o objetivo de fomentar e acompanhar as práticas e estratégias antirracistas, revisando e  ampliando o currículo escolar, de acordo com as demandas dos tempos atuais. 

Além disso, a Comissão tem um papel formativo, cujo objetivo é expandir a visibilidade de práticas existentes, assim como promover a continuidade e a implementação das mesmas.

Objetivo Geral

A Comissão acontecerá por meio de encontros regulares, visando a elaboração de um ethos que oriente as ações institucionais em torno dos desafios da implementação de práticas antirracistas no Colégio Ofélia Fonseca. 

Objetivos específicos

     ►  Estudar o currículo e a prática pedagógica na sala de aula

     ►  Provocar reflexões e formação dentro da prática pedagógica para a comunidade escolar no âmbito antirracista

     ►  Propor a formação para a equipe e a comunidade escolar, adequando atualizando os saberes escolares diante da lei federal 10.639 e 11.645 (obrigatoriedade curricular do ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas disciplinas da educação básica.

     ►  Promover o letramento racial da comunidade escolar.  Produção e difusão de conhecimentos sobre a Educação Relações Étnicos-Raciais.  

     ►  Dar visibilidade e integração entre ciclos às práticas antirracistas já existentes no colégio.

     ► Pensar institucionalmente sobre o tema.

Integrantes da Comissão no 2º semestre de 2023

      • Ana Cristina Moreira – professora da educação infantil
      • Marcia Garcia – professora do ensino fundamental anos iniciais
      • Diego Cuesta – professor do ensino fundamental anos finais
      • Mayara Vidal – professora do ensino médio

A Comissão terá um caráter rotativo na sua integração.

Veja como foi nossa manhã de convivência

Educação Antirracista:
a comunidade escolar em ação

Deborah Monteiro
Deborah Monteiro é professora da rede municipal de ensino de São Paulo, palestrante, consultora e escritora. Cofundadora do Instituto Ella Criações Educativas, atua como diretora pedagógica. Graduada em Letras Português/Inglês pela PUC-SP, mestre em Educação pela USP, pelo programa de Cultura, Filosofia e História da Educação e autora do livro “Educação Antirracista e Decolonial no Chão da Escola” (2023, Editora Dialética). Contribuiu com poemas para a coletânea “Erupções Femininas Negras” e para a “Coletânea de Poemas Antifascistas”. Cofundadora do Movimento Saraval e do Sarau Feminilitudes. Curadora no Brasil do Coletivo Poetas D’alma (MZ). É sócia fundadora da PONTE Esg.

Resumo
A palestra em questão é baseada na pesquisa de mestrado da regente, intitulada “Corpos negros e seus saberes no chão da escola: oralitura e escrevivência por uma educação decolonial”. A regente apresentará um panorama da educação brasileira a partir da crítica à colonialidade e ao racismo estrutural, mostrando como e por quais razões as populações e conhecimentos indígenas e negros foram sendo invisibilizados durante os séculos da colonização e mesmo após a independência. O giro decolonial começa pelo levantamento das tantas formas de educação que se constituíram paralelamente à formal, a partir das resistências desses povos que lutaram para manterem vivas suas culturas . Também serão citadas políticas públicas e movimentos negros de resitência que foram fundamentais para para a criação das leis 10.639 e 11.645. A partir daí, abordaremos os avanços e os principais desafios da aplicação das leis nas escolas de educação básica, com destaque para a necessidade da decolonização efetiva das formações continuadas de educadores e do currículo que precisa ir muito além dos projetos pontuais e dos eventos inseridos em calendários escolares que, apesar de importantes, muitas vezes não penetram o cotidiano escolar tampouco a formação das crianças e jovens. Além da exposição, pretende-se abertura do diálogo com demais palestrantes, educadores e público geral.

Contação e mediação de leitura:
Coletivo Flecha Que Voa

Coletivo Flecha Que Voa
O coletivo flecha que voa nasce em 2019 a partir da junção das experiências de uma bibliotecária, uma pedagoga e de uma atriz no trabalho de incentivo à leitura e arte educação.

Interessadas em pensar as histórias que fazem imaginar, valorizar as literaturas negras e indígenas, e potencializar a arte e a infância, essas três mulheres se uniram para narrar e brincar com as histórias. Carregam por aí instrumentos percussivos, encantos das florestas e dos mares, brincadeiras e o faz de conta em uma mala cheia de sonhos.

Sabemos que a literatura tem um papel transformador, sendo responsável pela criação e consolidação de imaginários. Diante disso, é preciso refletir: quais narrativas queremos construir nestes imaginários? Acreditamos que deve ser uma literatura ampla em seu conteúdo, que apresente narrativas que enalteçam a memória e história dos povos indígenas e afro-brasileiros, que positivem sua estética, que falem de sentimentos e subjetividades. Dessa forma, propomos questionamentos para além da mera retratação estereotipada dos habitantes dessa terra, uma vez que tiveram suas narrativas “apagadas”.

Assim como nos conta a autora nigeriana Chimamanda Ngozi em seu livro O perigo de uma história única, muitas vezes nossa sociedade cria estereótipos sobre pessoas, lugares e culturas, baseando-se somente em uma visão da história contada pelos colonizadores. Pensando num rompimento com a hegemonia dessas narrativas, a Flecha que voa traz neste projeto a biblioteconomia decolonial. Resgatamos a oralidade e ancestralidade como saberes de produção de conhecimento crítico e regressão política necessárias a partir das literaturas dos rios.

Quem Somos?

Jéssica Souza
Atua como bibliotecária escolar e mediadora de leitura no Ateliescola acaia, escritora de livro infantil, fascinada por bibliotecas pelo mundo e desde a sua graduação em Biblioteconomia e Documentação na UFF – em 2015, estuda a formação leitora em bibliotecas escolar, infantil, pública e comunitária.

Inessa Silva
Artista-educadora formada pelo Instituto de Artes da UNESP e mestranda pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo. Professora de biblioteca no Ateliê Escola acaia e Colégio equipe nos infinitos diálogos entre arte, educação e direitos humanos.

Bia Bigoto
Historiadora e pedagoga de formação. Atua como professora na Casa Ubá. Uma palhaça sem lona que perambula pelo faz de conta, pela arte, pelas literaturas e pelas bibliotecas do mundo pois é curiosa de conhecer as borboletas que nascem da imaginação e mudam o mundo.

Oficina de bonecas Abayomi

Ana Cristina Nunes e Antonia Gomes de Souza
(professoras do Integral do Ofélia)

Bonecas abayomi: símbolo de resistência, tradição e poder feminino.

Para acalentar seus filhos durante as terríveis viagens a bordo dos tumbeiros – navio de pequeno porte que realizava o transporte de escravos entre África e Brasil – as mães africanas rasgavam retalhos de suas saias e a partir deles criavam pequenas bonecas, feitas de tranças ou nós, que serviam como amuleto de proteção. As bonecas, símbolo de resistência, ficaram conhecidas como Abayomi, termo que significa ‘Encontro precioso’, em Iorubá, uma das maiores etnias do continente africano cuja população habita parte da Nigéria, Benin, Togo e Costa do Marfim.

Sem costura alguma (apenas nós ou tranças), as bonecas não possuem demarcação de olho, nariz nem boca, isso para favorecer o reconhecimento das múltiplas etnias africanas. 

Inseridas em um contexto de luta por liberdade, quando confeccionadas, em qualquer espaço, devem levar a reflexões acerca das desigualdades e sobre a riqueza da cultura africana.Confeccionar bonecas que tenham história é proporcionar um “encontro precioso” com as diferentes formas de ser e estar no mundo.

Os anos 1980 marcam um novo momento na jornada das abayomis, como um respirar sem correntes….

O Movimento Negro se organizava para a marcha dos 100 anos de assinatura da lei que extinguiu oficialmente a escravidão no Brasil.

Nesse contexto, a educadora popular e ativista Waldilena Martins inicia a confecção das Abayomis no Brasil e propõe que ela seja feita com retalhos de tecidos.

A ideia se espalha pelos quatro cantos do país e é criada a Cooperativa Abayomi no Rio de Janeiro, como plataforma fundamental para o fortalecimento da autoestima e reconhecimento da identidade afro-brasileira. Atualmente, as abayomis, além de contar de uma tradição africana, tem servido a  inúmeras mobilizações sociais na defesa da vida e contra o feminicídio, a violência, o racismo.

adaptado do site: https://primeirosnegros.com/abayomi/